Hoje fui informado duma nova decisão. Deram a volta à organização e mandaram um tipo que estava a fazer um excelente trabalho para outro departamento. Ele adora o trabalho actual e detesta o futuro, para o qual nem sequer tem experiência suficiente. Quem o vai substituir odeia a ideia, e nem sequer está preparado para o fazer. Aliás, preferiria ser ela a ficar com o novo trabalho, para o qual tem maior aptidão Com isto ficamos com duas pessoas desmotivadas, incompetentes nas suas funções, e vamos acabar por ter de ser nós a fazer o trabalho, se queremos ter a certeza que fica bem feito. Contas feitas, ficamos todos pior. Excepto o chefe, que por fim se vê livre duma personalidade com a qual nunca teve a capacidade de lidar. São os incapazes que abusam do poder formal para esconderem o medo provocado pela própria incapacidade.
Trabalho para uma multi-nacional, a maior do mundo no seu ramo. Emprega centenas de milhares de pessoas em praticamente todos os países do mundo. Tem valores bem definidos, que ouvimos frequentemente em todos os cantos de cada edifício. Parte deles estão relacionados com a gente que cá trabalha, e existe uma panóplia de procedimentos, regras, instruções e conselhos para incorporar esses valores na forma como tratamos os subordinados: temos de ser claros nas expectativas, definir objectivos em conjunto, ouvir as inquietudes de cada um, apoiá-los nos seus problemas, motivá-los... Enfim, sentimos uma pressão à nossa volta para tratar as pessoas das nossas equipas como seres humanos.
Se mesmo com tudo isto algumas nomeações são motivadas por amizade e afeição, compreendo a ineficiência duma máquina estatal que nem sequer consegue avaliar os professores. E se é para ser ineficiente, que seja mais pequena para que o dano seja quase insignificante.
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