sábado, 8 de outubro de 2011

O erro

O Carlos escreveu que viajar sozinho apura os sentidos. Procurei de novo a citação dele no “facebook”, mas depois de páginas e páginas de escritos, desisti. Não sei se foi assim palavra por palavra, mas acho que a ideia era essa. Se foi, o Carlos tem razão.

Quando viajamos sozinhos falamos menos, ouvimos mais. Não necessitamos de nos concentrar em conversas muitas vezes fora de lugar, e damos mais atenção ao que nos rodeia.

A sós, os sentidos descobrem novas realidades e emoções, mas cresce sempre em mim a frustração de não poder partilhar de imediato o que sinto, e isso entristece-me.

Tentei resolver o conflito durante anos e anos de viagens, mas a única coisa que consegui foi aumentar o meu desespero, ao ponto de me deprimir em qualquer viagem, só ou acompanhado, aqui perto ou do outro lado do mundo.

Até que a Indira me convidou para ir dar um passeio lá pelo bairro. A sua sensibilidade era tão diferente da minha que me fez redescobrir aquele percurso tão conhecido. Mais do que diferente, era complementaria: ambos sentimos mais, e ao mesmo tempo partilhávamos. Acho que essa foi uma das razões pelas quais nos casámos.

Hoje quando sou forçado a viajar sozinho sinto uma frustração maior do que as anteriores: a de voltar a cometer um erro, conhecendo a solução correcta.

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