O Carlos escreveu que viajar sozinho apura os sentidos. Procurei de novo a citação dele no “facebook”, mas depois de páginas e páginas de escritos, desisti. Não sei se foi assim palavra por palavra, mas acho que a ideia era essa. Se foi, o Carlos tem razão.
Quando viajamos sozinhos falamos menos, ouvimos mais. Não necessitamos de nos concentrar em conversas muitas vezes fora de lugar, e damos mais atenção ao que nos rodeia.
A sós, os sentidos descobrem novas realidades e emoções, mas cresce sempre em mim a frustração de não poder partilhar de imediato o que sinto, e isso entristece-me.
Tentei resolver o conflito durante anos e anos de viagens, mas a única coisa que consegui foi aumentar o meu desespero, ao ponto de me deprimir em qualquer viagem, só ou acompanhado, aqui perto ou do outro lado do mundo.
Até que a Indira me convidou para ir dar um passeio lá pelo bairro. A sua sensibilidade era tão diferente da minha que me fez redescobrir aquele percurso tão conhecido. Mais do que diferente, era complementaria: ambos sentimos mais, e ao mesmo tempo partilhávamos. Acho que essa foi uma das razões pelas quais nos casámos.
Hoje quando sou forçado a viajar sozinho sinto uma frustração maior do que as anteriores: a de voltar a cometer um erro, conhecendo a solução correcta.
Bonito.
ResponderEliminarQue bela declaração!
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