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Hoje foi o primeiro dia de duas semanas de formação em que tenho a oportunidade de participar.
Começámos com um teste de preferências individuais, um desses questionários que nos fazem preencher para que possam depois dizer-nos do que é que gostamos mais. Não vou duvidar da validade do teste, até porque acho que produziu resultados correctos em muitos aspectos. O que me surpreendeu e me deixou pensativo foram os dois limites dum dos critérios para a classificação da personalidade de cada um.
Através das sessenta respostas dadas, o modelo classifica cada indivíduo de acordo a quatro dimensões: como é a relação com os outros, como é que recolhe e usa a informação, nível de flexibilidade e como é que toma decisões. Enquanto os extremos das primeiras três dimensões (respectivamente, extrovertido vs introvertido, prático vs criativo, estruturado vs flexível) me pareceram lógicos, já as duas formas contrárias de tomada de decisão deixaram-me inquieto: analítico vs crenças.
O extremo “crenças” foi exemplificado como uma pessoa que decide de acordo à sua percepção de bem e mal. Isso quererá dizer que quem decide de forma analítica não tem valores nem moral? E quererá isso dizer que é possível concluir qual é a solução que representa o bem e qual é a que representa o mal sem analisar a situação e sem recolher dados?
Acho que a resposta a ambas questões é negativa. Embora possamos considerar os dados disponíveis, teremos sempre de fazer uma decisão com base nos nossos valores. Quando os dados me dizem que despedir metade do pessoal da fábrica me trará maior lucro, tenho de “consultar” os meus valores para decidir se essa decisão é aceitável: alguém com valores sólidos de solidariedade tenderá a evitar esse caminho, ao passo que outro gestor com valores mais assentes na eficiência da sociedade não hesitará em tomá-lo. Seja como for, nenhum dos dois deixou de recorrer às suas crenças e convicções, e ambos consideram uma análise analítica para avaliar a situação e tomar uma decisão.
Pensando na toma de decisões, acho que do outro lado da decisão baseada em dados analíticos deve estar a decisão apoiada na intuição, essa sim que pode ser utilizada sem uma análise analítica.
Seja como for, no mundo dos negócios é importante ter alguns factos chave em que basear as nossas decisões, embora considere que na maioria das vezes é demasiado moroso e mesmo inviável conseguir toda a informação necessária a uma decisão estritamente analítica. Deve existir sempre alguma dose de intuição, cuja qualidade vem, a longo prazo, distinguir os excelentes gestores do resto da média.
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