segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dia 4: Figueres – Montgó (32 kms)

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Era o auge da viagem, a terra prometida: mostrar à Indi o Museu-Teatro Dali.

Depois de extensos e demorados preparativos no hotel, saímos de Gabriel amarrado ao peito em direcção ao museu. Feliz ideia a da Indi de trazer o Gabriel feito canguru, porque não permitiam carrinhos de bebé la dentro.

Durante a primeira hora e meia, o Gabriel esteve tranquilo, indiferente aos magotes de visitantes de fim-de-semana de Páscoa: autocarros dos reformados de Idanha-a-Nova, grupos de adolescentes irritantes das escolas francesas da fronteira, mães histéricas e filhos birrentos.

Vimos as obras iniciais de Dali, alguns dos seus quatros mais famosos e rabiscos preparativos de obras inacabadas. A sala Mae West estava apinhada, não fosse uma das supostas grandes atracões: sobem-se umas escadinhas para ver desde um palanque o alinhamento das várias peças que lá de cima reconhecemos como formando a cara de uma cachopa. A fila para as escadas era longa, e os que não cabiam na fila enchiam o resto dos cantos da sala. No instante em que entrámos, o Gabriel começou num longo pranto e não havia “gugu-dadá” ou embalo que o calasse. Ante um momento de urgência destes, a Indi abriu a sua bolsa mágica de super-mãe e de lá sacou o biberão salvador, que calou o Gabriel naquele instante. Qual comprimido maravilha, o biberão apresentou também os seus efeitos secundários, e depois de uns ruídos suspeitos na barriga do Gabriel, tivemos de correr em busca do muda fraldas do museu.

O que seria uma manobra de rotina, transformou-se no cabo dos trabalhos à conta do poder do efeito secundário do biberão: tal foi a força com que fez sair o que lá havia, que aquilo deu a volta, saiu da fralda e intrometeu-se debaixo da roupa do pobre miúdo, nos cantos mais recônditos do corpo. Para completar o cenário, o arquitecto do museu decidiu pôr o muda fraldas à entrada das casas de banho, sem qualquer porta que filtrasse ruído, cheiros ou efeito visual para o resto do museu. Resultado: espectáculo de primeira para todo o museu!

Tivemos de desenvolver um trabalho de equipa digno dos melhores cirurgiões: dá-me uma toalhita, a fralda, outra toalhita, a roupa, levanta daqui, conserta dali, outra toalhita, limpa-lhe a baba… Ao fim de quinze minutos conseguimos controlar a situação.

Ainda assim, o Gabriel não se calava. Caminhamos devagarinho em direcção à saída, esperançados de que se acalmasse e não tivéssemos de perder os 22 euros que tínhamos pagado pelo bilhete de entrada. Parámos uma e outra vez antes da última porta, mas o Gabriel não se calava.

Assim que passamos a porta da saída definitiva, o Gabriel deixou de chorar. Acho que não gosta de bigodes.
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