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Era conhecida na cidade e até fora catequista. Esse e provavelmente outros factores deram-lhe a credibilidade suficiente para que muitos lhe confiassem as poupanças de toda uma vida. Abusou de tudo isso, e desviou os fundos para ajudar a empresa de um amigo.
A Justiça demurou dez anos a descobrir o crime, a investigá-lo e a julgar os criminosos. Durante esses dez anos, parte do dinheiro foi devolvido, mas ainda há quem não tenha recebido nada, muitos na reforma a necessitar urgentemente dos fundos.
O tribunal decretou a pena suspença. Ou seja, sairam todos em liberdade. O Juiz concluiu ainda que se o julgamento tivesse ocurrido antes da devolução do dinheiro a sentença teria sido diferente.
Utilizam o dinheiro alheio sem autorização, não o devolvem quando faz falta aos donos, quando devolvem, é apenas uma parte e a Justiça diz que não têm de ir para a prisão. Para além disso, sairam beneficiados pela lentidão do processo.
Li o caso este mês no Diário de Notícias.
É esta a forma como a sociedade portuguesa mostra aos seus filhos o exemplo a seguir. O crime compensa, assim como tudo o que possam fazer para atrasar a Justiça.
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