sexta-feira, 30 de julho de 2010

Matem D. Sebastião

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Portugal continua a falhar como sociedade. Não conseguimos elevar a inteligência emocional de uma parte significativa da sociedade. Exemplo disso é esta história que o DN publicou sobre um fiel duma igreja que prega o que uma mente menos ingénua considera inacreditável.

Passamos vários anos por um sistema educativo que continua a não conseguir formar verdadeiros cidadãos, indivíduos socialmente aptos para construir um país melhor. Ensinam-nos a decorar conceitos, a compreender lógica, mas deixam pelo caminho o desenvolvimento social e espiritual do indivíduo, o conhecimento de si próprio, a identificação das suas emoções e a sua emancipação como ser social. Não nos ensinam a trabalhar em conjunto para nos aceitar melhor, definir limites de convivência e a ser intransigentes com quem ultrapassa esses limites. Não nos fazem ver que dependemos mais de nós próprios que do resto do mundo, e não nos motivam a ser os condutores das nossas vidas.

Chegamos a casa e ouvimos os nossos pais a dizer que a culpa é dos professores que não sabem ensinar, da escola que não tem condições, do ministro que se tem de demitir e do governo que é mau. Em suma, a culpa é do sistema que nos envolve e não há nada que possamos fazer quanto a isso. Porque é o sistema que tem de encontrar soluções, estamos há séculos esperançosos dum D. Sebastião que nos salve. D. Sebastião, que há falta de coroa e cavalo branco, toma a forma de candidatos populistas, governos feitos de imagem ou igrejas da salvação.

Enquanto não educarmos os nossos filhos de que é deles de quem mais depende a sua felicidade, continuarão a acreditar nestas soluções mágicas e a ser enganados por vígaros com os quais nunca aprendemos a ser intransigentes. E Portugal como país continuará a falhar.
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