O céu do Cairo é uma camada espessa de fumo, areia e neblina, que torna as sombras suaves e a luz dolorosa. É como se a presença dominadora de Alá se fizesse sentir permanentemente. Por entre os edifícios semi-construídos a mistura pestilenta de odores sufoca-nos e o ruído constante do tráfico agita-nos, até que o chamamento para a oração do pôr-do-sol dá à cidade um momento de descanso. À noite o vento do Nilo purifica o ar e as gentes do Cairo reúnem-se nas suas margens, como em veneração a esta fonte de vida que assegura a sobrevivência da cidade.
Ao caminhar pelas ruas cruzo-me com pré-adolescentes, crianças ainda, que cochicham entre elas, divertidas com o meu ar, que acham exótico. Sorriem-me ao passar de uma forma ligeiramente provocante, que contrasta com o aparente conservadorismo dos lenços que lhes cobrem o cabelo.
Fico com vontade de ficar mais tempo para descobrir outros contrastes desta sociedade islâmica, e de ter a meu lado a minha companheira de aventura. É a certeza de que voltarei a esta cidade com a mulher que escolhi.
Sem comentários:
Enviar um comentário